Navegar
Abro a porta e descerro,
Mil luas azuis navegam.
Abro a janela,
Dez sois acabados de pôr,
Vão e vêm em mil desejos,
Que me habitam de ti.
O céu cinzento carregado,
Verte lágrimas guardadas,
De uma cara que foi quente,
Ilusão de uma praia deserta,
Que de rochas, areia e mar
Se faz.
Gaivotas rasantes,
Velejam nas ondas.
O peixe salta ébrio,
Na felicidade do mar revolto.
Não tenho visto os amigos que não tenho,
Tenho estado com os que sobram.
O sol já arde meio,
Por detrás da noite que cai,
A lua refresca metade,
Do dia que se vai.
A serra a meio caminho,
Espera-me regressado,
Num outro caminho,
De moinhos,
Que ao sabor do vento,
Velejam como as ondas do mar.
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