Sacanas sem Lei
Depois dos emblemáticos, Pulp Fiction, Kill Bill e outros, Tarantino comparece com Sacanas sem Lei. Inversão de papeis históricos. Bem conseguido. Como a desequilibrada pseudo-fábula de David Fincher, na historia do Benjamim Button. A mesma forma de juízo. Reinventar a história ao contrário. Gosto do conceito “reinventar” “antecipar” e ao “contrário”. Desgosto do conceito real. Cresce-se mais à sombra, do que ao sol. Opinião do nosso Nobel Saramago.
A lua está branca, o mar ruidoso. A Areia não se separa da espuma. Está quente a noite. Detesto os escrivães que só se escrevem deprimidos e/ou apaixonados. É uma burla à escrita. Uma fraude. Escrever é purgar o que há de ignóbil em nós e deixar à consideração, a leitura ou não. Eu não presto. Eu sou um filho da puta. Sou mau e sou vilão. Sou a antítese que se insinua, sou sugestionável e porco. Sou azedo, descrente, bêbado, mulherengo e drogado. Sou ladrão, mentiroso e arruaceiro.
Sou antítese. Se sou antítese sou o contrário da auto-descrição, não sendo betinho, santo, filho de papá, sóbrio, verdadeiro e lavadinho, sou a medida que vai do entre como me descrevo, e de como me vejo. Não sei o que sou. Não sou o que vejo. Sou o que me vêem.
Eu Sou do Tamanho do que Vejo
Da minha aldeia veio quanto da terra se pode ver no Universo...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não, do tamanho da minha altura...
Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.
Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos – Poema VII"
Heterónimo de Fernando Pessoa
Heterónimo de Fernando Pessoa
A lua está branca, o céu salpicado de estrelas, o mar ruidoso. As pessoas dançam, uns vão casar, outros morrer, outros nascer. Há os renascidos. Bem - haja.
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