Vê lá se atendes o telefone !

 


Deixei-te na tua casa nova, na tua nova cidade. Regressei cheio de um revoltoso sentir que me saía por todos os poros do meu corpo. Viajei de vidro aberto agarrando o ar tépido da noite. O cheiro a eucalipto na serra que cruzei, diligenciava um alívio ao aperto que sentia no coração. Vim devagar, não queria chegar. Revi o nosso tempo. Revi-te nos teus primeiros passos e ais. A tua primeira gargalhada o teu primeiro correr para o meu abraço. O teu primeiro dia de infantário, o teu primeiro dia de escola. O teu primeiro confronto. Revi os primeiros, os entretantos e os actuais. O tempo desapareceu e fugiu. Estás entregue à confiança, desejo e esperança que deixei depositado contigo no espaço que preparamos durante a tarde. Ficou confortável e com o teu toque. Ao teu gosto. Trouxe o teu perfumado, apertado e demorado abraço. Trouxe as lágrimas que não desmontamos. Trouxe o último aceno e a ultima frase humorada que não dissemos. Dormi pouco a pensar como seria o teu dormir. Estás no teu caminho. O que isto tem de mau é ser novo. Isto é um bom e desejado momento, é uma conquista tua, o teu futuro hoje. Passeamos pela tua nova cidade e pelos sítios que sei que frequentarás. Coimbra espera-te de braços abertos pelo Mondego e abençoada pela Rainha Santa Isabel. Amo-te  incondicionalmente filhota. Vê lá se atendes o telefone !...

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