Voto letal
Muros, largos como países,
Mãos soltas como hélices,
Pensadas para castrar.
Sinuosas mentes,
Invasão, confronto e espiral,
Arquitectos do juízo.
A mentira feita de verdade,
A verdade faminta, vociferada,
Por decisões indecisas.
Vai à urna,
Deposita o teu voto mortal,
Assina a sentença letal.
Abril desaguado,
Maio remoto.
Ideal de liberdade, distanciado.
Como é bom escriturar,
Sem a guarda te levar,
Conquista primaveril gritada.
Deposita a sanidade,
Numa cruz em boletim,
Faz de ti o fim.
Latifúndios de fome,
Campos por cultivar,
Fidalgos feudais… a matar.
Mediáveis tempos de outrora,
Volta dos tempos fascista,
Fim dos poetas e artistas.
Mil pedaços de terra infértil,
Nas nossas mãos por cultivar,
E assim mataram Catarina.
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