Acompanho-me
É meio do dia, o que não significa que o dia esteja a meio. Meio do dia de um dia desinvestido, de um dia que teima em não acalorar a vida. A vida é um arrolado somatório de acções producentes. A lógica não gere a vida, muito menos as horas que o dia encerra. Alogicamente subsídio a minha forma de estar, a minha forma de ser. Vivo numa brisa desvanecida em que a temperatura interior é decidida pela exterior. A luz da vida ofertada pelo sol na minha vida interior é equitativamente decidida pela exterior. Vivo numa temperatura e luminosidade artificial. Não cheira a terra no sítio onde vivo. Abomino os ares que respiro e a luz fotossintética e clorofílica que me medra. Escrevo assim do meio do dia, da parte de dentro da minha vida não decidida. O ar condicionado, decidido e imposto, num dia de luz exterior que não absorvo. Condicionado e reflexivo. A água abruptamente e inopinadamente afoga-me em sentires já longínquos e recordados. Recordo os sonhos noctívagos e desabrochados em mil e quinhentas ideais que se esfumam entre os dedos. As trinta mil mentiras ditas de verdade com vivas e expressões “tão mais do que”. A desinformação reflectiva. A verdade descoberta e informativa. Domina-me a noite e a madrugada. A madrugada é a noite já adulta. O vento que me levou. Os textos regados pelos sons e musicas do fim do mundo. A esperança que me frequentou de uma verdade inventada e uma mentira adiada. Genuinamente arrisco e desarrisco nas decisões que me competem. Desarrisquei. Fico assim nas minhas céleres formas de estar e sentir. Acompanho-me, pertinente.
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