Andalucia
Madrugada andaluza quente a sul. Num jardim feito de bosque em Sevilha, dancei como se o mundo fosse desabitado. Árvores enormes cobriram a minha pequenez de tamanho. Uma dança imóvel afigura-se-me. Sevilha está adormecida e eu desperto. Continuo. Acorda o dia na minha chegada. Um estreito divide o meu sentir. Africa esta na outra margem. Lugar onde os mortos se devolvem em pó à terra, num sublime e cantado murmúrio. O mar mais quente, bate na encosta onde adormeço. A noite é quieta. Tarifa passa a ser minha até hoje. Já lá voltei, continua encantada de uma forma diferente. Subo desnevada a encosta da serra, semeada de rebanhos, casas de pedra e feitiços. Guardo-as numa gaveta perto do coração. Disperso, enquadro o que penso nos vales serpentados por ribeiros degelados. Desço e volto ao terreiro. Atravesso o estreito e piso Africa. Exala um cheiro quente e abafadiço que já conheço, que me bate no estômago e me prende ali. Bebo chá e degluto caril. Mando o meu olhar o mais longe que consigo. Não creio que alguma coisa não se possa fazer, acredito primeiramente que o tempo útil de vida pode não permitir fazê-lo.
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