Aquele abraço PAI...

 


Cansado. Impotente. Sem soluções. Nada para dizer ou fazer. Apenas aceitar. Especialmente hoje vi-te, sem saber que era possível o meu homem referencia ficar assim. A inteligência não abunda por aí. Fazes parte dos mais inteligentes que conheci. Sem pisar ninguém, de impostos em dia, exemplar. Conceitos passados de uma forma séria. Amanhã são setenta e oito anos. Farás na cama que te foi distribuída no hospital. Lá estarei com a mãe, que o resto da nossa família foi para a universidade como tanto desejaste. Sei que não saberás que comemoras amanhã tal data. Nem sei se saberás que eu e a mãe lá estaremos. Mas nós sabemos e estaremos lá. Hoje, tudo deixou de ter importância. Não sei o que está para vir, mas seja o que for, quero que saibas que sei da tua paz. Que sei que estás sossegado. Ainda tivemos tempo de nos dizer que amávamos se é que isso fosse necessário. Ainda tivemos tempo de ir ao futebol. Ainda tivemos tempo de conversar e de saberes de mim. Ainda tiveste tempo de me transmitires coisas para ti importantes. Ainda tive tempo de te ouvir falar de confiança, paz e orgulho. Ainda tive tempo de sentir o teu abraço. Ainda tive tempo de saber da tua obra. Ainda tive tempo de saber do teu crescimento, da forma como cuidaste da tua mãe e irmãos. Ainda tive tempo de ver a tua obra. Que fica erigida e que perdurará. Aconteça o que acontecer a tua presença habitará a minha saudade e respeito. De voz embargada e olhos densos de lágrimas, sozinho, escrevo-te daqui que ninguém sabe. Gostava de ser como tu. Aquele abraço PAI.

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