Cabe um suspiro numa noite

 


Florescem apaziguadas formas geométricas que não se coadunam com a linha do horizonte, colocada num fundo azulado em que as nuvens se põem. Fundo negro de uma claridade trespassada por um sol adivinhado de raios fortes e tensos que se convertem em violetas brandas. As nuvens têm formas de jardins plantados e floridos de árvores a chilrear. Pássaros incolores habitam um ego que teima em não sossegar. Desassossegada, brava e incerta, esta amansada magnitude posta no poente. Um farol mistura-se incoerente, nos elementos alucinados e pendidos na convivência de uma linha desenhada a sul. Soltam-se palavras que se juntam, num adicionado mar, mais do que um subtraído sentimento. Sinto estourar no meu cérebro junções de pergaminhos antiquados e tão actuais. O tempo não me diz nada. Cabe um suspiro numa noite e uma madrugada num afecto. Verte de um dia esboçado, um carinho. Num caminho térreo o sol descobre e rompe o nevoeiro. A descoberta dá-me sempre o fascínio de um entusiasmo momentâneo que se vai com a rotina. Aprendo sem saber que aprendo. A aprendizagem é um processo que se constata no futuro. No durante não existe noção do que se compõe. 

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