Condição

 


Vou mergulhar na serra d´aire e conhecer ancestralmente as dúvidas que me ocorrem. Vou abraçar de lá o astro-rei, pintar as árvores de cores invisíveis, mas visíveis do céu. Vou plantar brincadeiras semeadas de crianças, onde a morada seja a felicidade. Vou retroceder à ingenuidade do alto de santa marta e fidelizar as ondas da ilha das negras rochas. Vou salpicar o tempo conhecedor, com o vento. O pintalgado das gaivotas nos barcos emproados dos pescadores engalanados, seduzem-me. As chagas contam histórias nas passadas da areia que as ondas não apagaram. Vou rebolar na areia aquecida pelo vento, antes refrescada pelas marés. O arrulhar adormece-me em passos lentos de dança. Sensualidade de vestido de linho trajado e uma trança solta e graciosa enfeitada. Desejo voltar à valada e ver em debandada o voo rasante e arrojado nos chorões debruçados sobre o Tejo quente de Verão. Desejo verter uma lágrima e saborear o sal. Desejo as sandálias cheias de pés nus. Vou musicar uns acordes e adormecer esgotado de mim, mas vou.

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