Fazias, fazias!

 


Auto-suficiência é uma palavra com a qual me tenho relacionado, debruçado e debatido nos últimos dias. Auto faz-me sempre lembrar qualquer coisa relacionado com automóveis. Auto-stand, auto-reparação, auto-reboque, por aí. Auto-piedade faz-me lembrar um stand de automóveis na Cova da Piedade, mas sobre esta palavra ou expressão nem me deprimo, não me identifico e “prontos”. Não quero. Sou responsável, não debito o meu mau estar nos outros. Sou grande. Afasto-a. Suficiência segundo o dicionário é a qualidade do que é suficiente, habilidade, aptidão.

Suficiente, quer dizer na mesma descrição de palavras o seguinte: - que é capaz, que satisfaz, apto, capaz, hábil e/ou uma nota que é dada aos alunos que estão entre o medíocre e o bom. É uma tontaria creio. Então alguém com tamanhos adjectivos de dimensão e volume assim qualificado, onde é vertido tanto suor, sangue e lágrimas, precedido por um auto, só está situado entre o medíocre e o bom? Não me parece. Parece-me sim, que uma pessoa em auto-suficiência é excelente, perspicaz, atento, interessado, batalhador, forte fisicamente, sã espiritualmente e cuidadoso no chão que pisa.

 

Outro assunto que me interessa particularmente é o lobby da marcação de ponto. Os espertos que estão quando não estão, e, que não estão quando estão. Compensam o trabalho de não estar, com o trabalho feito pelos que estão. Pior que isso, trabalham virtualmente até ás 19h no papel. Mas na realidade estão sentados no sofá de chinelos a ver novelas em plena digestão de “minis”. São os colaborantes que trocam favores em troca de marcações de ponto. Depois há os que trabalham que são só notados quando não estão. Na verdade isso prova que os que não estão, estando, não fazem falta nenhuma. Simples. Ainda há o curioso facto porventura não coincidente, que os que não estão, estão nas listas autárquicas para as juntas de freguesias, de gravata e bigode na foto, com um antecedido funcionário xpto, nome e idade no flyer de papel de qualidade. E assim andamos entretidos com o acessório ao invés do essencial. Recomendo nesta fase eleitoral o "ensaio sobre a lucidez" do nosso Nobel vivente em Espanha e comunista, companheiro de uma das melhores pianistas do mundo Maria João Pires que acabou de renunciar a nacionalidade portuguesa.

 

Assim também eu fazia! Fazias, fazias!

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