madrugada adentro
Agora dei para não sair de casa tal é a estupidez lá fora. Sei que é mais meu que dos outros, mas é assim que me sinto. Tem uma parte boa, trabalho. Saí de manhã fui à praça, ao lidl e ao modelo com a minha mãe que está quase cega. O meu pai recusa-se a colaborar. Não estando lúcido, está feliz como nunca. A auto-critica de dia para dia desaparece. Ficou assertivo de repente. “Não me apetece, não vou!” “Não quero, não faço, e não digo”. Continua de olhar expressivo a achar que o mundo pensa que ele está doido. “Coitados dos do mundo” pensa ele. Ao final do dia fui pôr e buscar a minha mãe à missa antes que fosse atropelada. A minha filhota em estado estéril só me fala de doutores, padrinhos, praxes e Coimbra. Lá vou abanando a cabeça sem ouvir.
A lua atrás de mim cresce e desloca-se à medida que escrevo folhas e folhas de um trabalho que ainda nem começou. Penso, mas para que é que é esta merda toda? Uma tese para quê se ele já há tantas. Vou mas é a discoteca ver umas gajas e beber umas vodkas. Depois penso no meu fígado e fico por aqui. As novas tecnologias puseram-me em casa os abraços rotos do Pedro Almodôvar de quem sou fãsissimo. Nem me apetece falar do filme, já vi muito melhor, com menos custos e muito mais arcaico. Uma história bem engendrada, mas muito limpinha. Falta muito Almodôvar ao filme.
Enquanto isso penso que daqui a bocado pelo nascer da aurora hei-de ir dar uma volta de mota pelas fazendas aqui à volta. À tarde como preciso de comprar uns livros, aproveito e vou ver o meu clube verde jogar com os azuis de Belém, Equipa que até nem antipatizo. Como diria o palerma do malato “já fui muito feliz por aquelas bandas”.
Tomava agora uns indutores de sono porque me apetece dormir e nada. Um cocktail de branca com castanha para desenjoar. Que tristeza não fumo, não bebo, não procrio. Oiço, leio e vejo barbaridades acerca de pecados, vontades de mudar o mundo, de batotices, de egos inflamados e desordenados, de queixumes e lamechices incoerentes e, se me afastar, é sempre equitativo, mais do mesmo e do mesmo lado. Ajudai-me deus meu secreto e selvagem a não parar. Antes levar comigo do que a ridícula, insustentável e pesada leveza de não ser. Sou pecador sim senhor. Mas antecipo. Vejo mais além e quando não vejo não é por distracção porque o esforço está lá. Vão falar do caralho. Já não sou dos Na´s, sou junkie de alma. Obrigado João.
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