Mudam-se os tempos mudam-se as vontades?
Tão patética esta ternura da distancia. Estes telefonemas multi-diários. Nestes dias últimos sinto-me mais forte depois uma longa e cheia de ninguém caminhada veraneante, já entrada na estação seguinte. Verifico-me assim na quadra.
- A Cantiga de Escárnio é aquela em que a sátira se constrói indirectamente, por meio da ironia e do sarcasmo, usando palavras cobertas para que hajam dois entendimentos “lhe lo não entende rem",
- Na Cantiga de Maldizer, a sátira é feita directamente, com agressividade, "mais descobertamente", “com palavras que querem dizer mal e não haverão outro entendimento senão aquele que querem dizer “chãmente”.
Essas duas formas de cantiga satírica, não raro escritas pelos mesmos trovadores que compunham poesia lírico-amorosa, expressavam, como é fácil depreender, o modo de sentir e de ver o próprio de ambientes dissolutos, e acabaram por ser canções de vida boémia e escorraçada, aquela que encontrava nos meios frascários e tabernários seu lugar ideal. A linguagem em que eram vazadas admitia, por isso mesmo, expressões licenciosas ou de baixo-calão: poesia "forte", descambando para a pornografia ou o mau gosto, possui escasso valor estético, mas em contrapartida documenta os meios populares do tempo, na sua linguagem e nos seus costumes, com uma flagrância de reportagem viva.
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades?
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