Seixos
O mato rubro cheirava a verde matinal hoje. O sol espreitava luminoso entre a ramagem. O pó levantado deixava um rasto de passagem. A temperatura foi aumentado consoante os quilómetros percorridos. Atravessei um riacho empedrado de seixos luzidios. Das nuvens saíam cantares de pássaros migrados em bandos. Domingo. Cruzei-me com gente vestida da fé professada com indumentaria a rigor perfumada de naftalina. Eu barbado e transpirado bebi um café surpreso por quem me o serviu numa aldeia onde todos se conhecem. Penso em turbilhão cada metro que percorro do que me vai na alma. Recordo os amigos e o que não divido. Lembro o invadido e sentido cravar-se-me no peito. Penso no acordar do meu pai e no adormecer da minha filha. Penso em quem realmente gosta de mim e em quem eu gosto realmente. Subi a anti-montanha e avistei o horizonte. Sou interpelado por mim no regresso. Ajusto-me e não deixo de sentir. À tarde viajarei à cidade em busca de conhecimento e mais tarde cheirarei um prado verde viçoso sentado. Programado assim o meu dia para me arrancar daqui e não dar azo à minha falta de vontade que o meu auto-conhecimento sinaliza. Sou viajante de afectos e celerado. Sou o meu existir sem ser existência de alguém. Sou um pedaço de céu colorido em sal, para conservar o mar que me invade de ondas turbulentas. Sou uma paz escrita em pedaços de mim por aí. Sou eu antes de outra coisa qualquer. Sou o resultado das minhas experiências e observações. Sou uma porção vulcânica em delonga.
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