Selva Selva
Bolas de sabão sopradas num tubo que se rebentam.
Desenham-se ao encher.
Ilusão esvaziada de arco-íris.
Cores.
Palavras que não pronuncio.
Estrada por onde não ando.
Nada me pertence, tudo me é emprestado.
Já estive na selva. Selva selva.
A selva é uma jurisprudência inventada e adaptada.
A selva da pequenez e da cegueira.
A selva da negação.
Selva bruta, cruel e injustificada.
Selva do engano, das palavras não ditas.
Ditas que ditas.
Uma selva escura de pessoas ignóbeis e ásperas.
Enfeites, cores e ares frágeis.
Poder submisso, ilusório.
Vermes que habitam na selva de uma mente que mente.
Apetece-me gritar do cimo de uma serra e calar.
E calar de vez.
Calar para sempre.
Na verdade sou.
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