Viva. Viva a dança dos pássaros
São milagrosas estas linhas que me habituei a escrever. Paradigma de mim mesmo. Numa metáfora circense diria que a minha escrita é legista. Legista, como um médico que abre e vê o adormecimento eterno. Por ordem sequencial deste pensamento, entendo também que escrevo como uma médica parteira, que dá vida ou ajuda a dá-la. Assim me encontro numa escrita aberta, a que chamo legista, por avistar por dentro. Por outro lado, antevejo-me numa escrita naturista, que dá vida à própria vida e pronúncia ás palavras. Esta forma solitária e snobe que os escritores têm, arredado das suas leituras, chamo reflexiva. Escrever para alem de ser reflexivo é filosófico. Parte do desconhecido para a significação, quase sempre egoísta e de dúbia interpretação. Uma dança de pássaros pode ser uma dança de pássaros, ou o seu próprio entendimento. Pode ser partida ou chegada. Amor e desamor. Saúde ou doença. Pode ser uma poética forma musicada de dúvida. Uma duvidosa mudança de estação. Uma estação filosófica para o entendimento. A junção de conceitos e fundamentos expressos na observação, descritas nas palavras. Como diria uma concubina de expressão infantil na cara enfeitada de entusiasmo.
Viva. Viva a dança dos pássaros.
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