Conto alucinado

 


Que droga tão rara eu conheci,

Mais rara que o teu sabor,

Que me excita, aclama e acalma!

Que me transpira,

Seca e adormece,

Que droga tão rara és tu!

 

Sem vendedor,

Sem esquina,

Onde se encontra!

Onde se perde,

Que me enlouquece,

E sem sítio para comprar!

 

Entre mil cores sonhadas,

O inferno,

O paraíso!

Que me faz sábio,

Ignorante,

Que droga tão rara experimentei!

 

 

Que me apodrece,

E me encanta,

Sem poder!

Poderosa,

Miséria encantada,

Ilusão!

 

Que droga tão rara experimentei,

Esta droga feita de ti,

Pensante!

Mortal,

Indolente,

Que não te ausentas!

 

Deixas a minha alma cair,

De dor,

Nem uma droga de droga!

Me alivia,

Aliviam-me os teus lábios,

O teu olhar!

 

As tuas mãos,

O teu sôfrego querer,

A tua paisagem!

A tua inexistência,

A tua presença,

O teu andar!

 

O teu balanço,

A minha insónia feita de ti,

O teu desquerer!

O teu sublimado toque,

Eu e tu,

Que droga tão rara experimentei!

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