Conto da excitação sonhada

 


Deito-me com o sangue a pulsar-me nas veias. Não há à-vontade. Não sei se espero que me toques ou se te toque eu a ti. Espero, fingindo-me em adormecimento. O cheiro a calor humano exala dentre os lençóis. Não me sei sabedor dos teus gostos e formas. Do que te leva ao revirar dos olhos, à gemideira e ao ranger dos dentes. Não me sei sabedor se gostas por trás, pela frente, se por cima ou por baixo, ou até de lado. Sei que me sinto carne viva fingindo adormecimento. Penso em cada milímetro do teu corpo lambido, voluptuoso, e no arrepio e perca de controlo que imagino vindo de ti como um vulcão. Sinto um libidinoso e sonhado pensamento, enquanto me finjo adormecido. Lasciva e obscena esta minha tortura. A tua respiração alterou, está mais pesada e profunda. Adormeceste com o meu adormecimento. Sonho agora com a tua boca em mim, todo. Com os espasmos que sinto numa explosão forte e lenta, produzida com a maldade que esse teu bem me produz. Olho os teus cabelos pendentes como fios de prata que agarro para me equilibrar, e a descompassada loucura que se cimentou neste falso adormecimento, neste real sonho. Acordei transpirado de um sonho inventado e real. Acordei tão suado, como no nos primeiros dias em que não frequentei o Opiário. Gosto de me sentir preso pelo sexo e pelas bocas.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Blogger Cardílium

O pai natal foi um filho da puta

Prestianni - viva todas as cores !