Conto da terra geracional

 


Lancei um almude de esperança à terra. Uma porção de terra herdada, um pedaço de terra de vida, viva e fértil. Colhi de uma sementeira amada o retorno que a terra me deu. A fertilidade rosa branca de um estar, simplesmente por estar, sem esquecimento. Plantei numa pouca de terra uma árvore que medrou. Ganhou vida e embelezou os meus olhos, criados em mim. Dei nomes e apelidos ás minhas sementeiras. Nomes ternos de recordação e saudade, mais do que de sumiço. Nomes glorificados na existência e vivência de uma vida dividida, preocupada, partilhada, alegrada, de frustrações e sucessos. Plantei, remexi e cuidei, adubei e colhi. Apanhei as folhas e voltei a coloca-las no seu local. Escrevinhei num cheiro emanado pela chuva e dormi uma sesta à sombra do sol. Sonhei-me em pequeno numa corda feita de um baloiço segurado pelos teus olhos azuis e orgulhosos. Escrevi o meu nome na terra vindo do teu apelido. Escolheste o meu nome no semeio. Derramo a agua que verto no cuidar cuidado, com que adubo a essência que me concedeste. A tempestade abre de gretas fundas o gostar cravado e iluminado, sábio, forte e lúcido que me presenteaste. Sou agora terra renovada das monções de um Novembro nascido. Amanha, dezanove a minha filha faz anos. Que importante foi esse dia na minha vida. Não sabia que o ia ser, mas é-o cada vez mais. Geracional este caminho.

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