Conto do enfeitiçamento
Searas de adolescência soltas do teu cabelo ao vento embargam-me o vislumbre. Queria ser o teu cavalo gracioso e alado numa alvura cândida e esplendorosa. Os anjos seguram-te o gracioso caminhar. Estrela de alva, madrugada adiada, por compor. Solto um ai grave, rouco e surdo, de uma saudade impedida mais que escolhida. As tranças afundam-se. Uma febril vontade de te ver para além das montanhas, verosímil e confundida por um discurso desconhecido que achas tão bem conhecer. Fobia da arte do desconhecimento raiado de certezas incongruentes. Quero ver o teu sorriso posto ao sol-posto. O teu cabelo segurando-te os graciosos movimentos que as tuas ancas enfeitiçam. Demência malvada, transfigurada. Quero sossegar os teus seios de encontro ao meu peito e abraço. Quero sentir-te arrepiada de um corpo que conheces. O trilho, ontem de senda em riste, veio ate mim e iluminou-me. Obrigou-me em juramento célere à promessa de me tratar bem. O sol poente tem outra luz, tem outra cor. Uma luz cega e congruente. Harmónica visão esta do lado de cá de uma alma por apinhar e de um olhar enfeitiçado.
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