Conto do grão de areia que trouxe do mar

 


Houvesse quem pudesse guardar aquele grão de areia que trouxe do mar.

Houvesse em quem confiar aquela canção que encontrei na imensidão.

Houvesse quem fosse o meu sonho feito de acalmia e pranto.

Houvesse quem fosse a inspiração que deposito no linho onde me inclino.

Houvesse quem fosse que fosse, mais que imagem projectada, desigual e trigonométrica.

Houvesse quem ouvisse mais que escutasse.

Houvesse quem mais admirasse que amasse.

Houvesse mais definitivo que efémero.

 

Ai se...

Vigorasse mais verdade que mentira.

Vigorasse mais ternura, encanto e primazia.

Vigorasse mais princípios, directrizes, satisfação e plenitude.

Vigorasse mais aromas, cores, musicas, poesia e vida.

Vigorasse o silêncio em troca de adjectivos cabisbaixos e modificáveis de uma noite.

Vigorasse a sensatez dos defeitos.

 

Os defeitos são reais e inimitáveis. As qualidades são passageiras e forjadas.

 

Ai se vigorasse a força que habita dentro do espartilho........ e houvesse quem me guardasse o grão de areia que trouxe do mar.

 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Blogger Cardílium

O pai natal foi um filho da puta

Prestianni - viva todas as cores !