Conto evolutivo
Longe vai o tempo da espera. Esquina dobrada de um medo evadido sem motivo e sem razão. Sapiência da idade leva-me a descobrir outros mundos, repletos de novas razões e caminhos. Turvada a minha vista, aos poucos desnudou-se. Desnudou-se para a vida sabida existente e não frequente. Sabia que dali à morte faltava metade. Como tal a vida não cabia em si de contente. No meio da uma vida pendida, descobri o algoritmo genético. Baseado na solução, procuro o encontro na busca e na optimização. A evolução, a biologia evolutiva, a selecção, a hereditariedade, a mutação, e recombinação, estendem-se para além do meu ser. Reencontro o milagre desacreditado e omisso aos olhos dos que habitam numa mente cinzenta, rotineira e fechada. Dos que não se lembram dos encontros e do fascínio, do sentir das palavras partilhadas. Reencontro-me com as esquinas que outrora dobrava. A cegueira escassa da pobreza presenteada com a necessidade mais que a vontade. O prazer desinstalado submeteu-se ao deleite válido, impetuoso, e invadido de uma vontade nova e livre. O prazer evolutivo. O conhecimento evolutivo.
Comentários
Postar um comentário