Conto tocar-te com as palavras

 


Mais do que escrever bem ou mal, escrevem-se boas ou más ideias, bons ou maus conceitos, boas ou más analises e bons ou maus pensamentos. Divagantes e/ou imaginativos. A arte de escrever pode ser tão ou mais simplista que a arte de não descrever, e atafulhar de adjectivos sem sentido um discurso. Sem sentido sensorial. Descrever com a alma eleva-nos, e leva-nos ou transporta-nos, para dentro de uma história, de um sítio ou de uma ideia. Torna-nos parte integrante e activa do que nos quer ser transmitido, criando o milagre da sudação pelas palavras. Arrepia-se-nos a pele nos parágrafos e chega a soçobrar uma lágrima num ponto de exclamação. Lê-se em cada pedaço de frase, uma leitura diferente. Mais carente, menos carente. Mais emotiva ou pragmática. Vê-se em cada bocado de descrição, a luz do local a que somos levados, ou de onde somos oriundos. Sente-se em casa sílaba lábios e beijos. Em cada exclamação a dúvida do caminho. Numa tal vírgula cheira-se até o arco-íris. Não se escreve bem ou mal. Transmite-se mal ou bem o produto do objecto a que nos propomos e dirigimos. Quero fazer um momento com o nome “sempre” e tocar no céu. Tocar em ti de palavras.

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