Conhecimento

 


No fundo dos teus olhos existe conhecimento, existe vida. O teu olhar vê e lê o que de mais profundo há em mim. No fundo dos teus olhos há pranto e encanto, há saber e querer. No fundo dos teus olhos que são os meus, existem os meus que são teus. Existem intermináveis conversas feitas apenas e tão-somente de palavras sem som ou expressão, existe uma cúmplice e tremenda alegoria, um bailado e uma poesia. Existe uma saudade arrebatada de falta e destituída de preconceito, desamarrada no cais exonerado. No fundo dos teus olhos, de soslaio empreendo uma obra que irá sempre ser e ficar inacabada. Do fundo dos teus olhos prendes-me e pedes-me. Do fundo dos teus olhos existe presença e coerência, ritmo e melodia, uma forma erudita de me saber e de me entender. Os teus olhos mentem quando não me queres, e brilham sorrisos quando me recebes. Os teus olhos vagueiam pela luz que deles emanam caminho, vertem agua quando no escuro adormeces. Os teus olhos são da cor do arco-íris e mudam em cada forma de sentir. Os teus olhos são safiras que sentem e permutam cada cor indescritível de adjectivo. Os teus olhos são o meu pecado e a minha penitência. Nós somos a tragicomédia dos sentires. Somos voluptuosidade ancestral neste mar contemporâneo.

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