Entretanto
Numa correria alucinada vou em direcção a uma bola de fogo que me cega. Luz brilhante e plácida. Ferro-me no peito uma espada de lâmina encerada. Penitencio-me dos meus pecados. Sou parte de mim mas não me tenho. Sou e não sou. O meu corpo ainda não me reconhece. Corpos compram-se e até se alugam. A alma e o espírito ou se entrega, ou não existe troca, compra ou venda possível. Respiro baforadas de esperança que se desprendem em sopros únicos e exclusivos. A dor dorme no meu leito na confiança de me embalar e desaparecer com o acordar. Alegro-me em conseguir caminhar somente, mesmo desconhecendo o caminho que me espera no dobrar da maré que se forma, desconforme e desordenada. Desconexas as minhas passadas titubeiam em escarpados sentires que resultam sempre no adiamento do dia de hoje, trocado pelo amanha esperado, esperançado e sereno. Ordeiro submeto-me e obedeço à impotência de não saber caminhar. De não saber adequar o caminho aos passos que tenho por confiar. Amanha em terras longínquas acenarão as dores menores trocadas pelos estreitos que darei na sua direcção. Cada vez caminharei melhor e mais confiante. A doença é um estado de espírito que a positividade resolverá entretanto.
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