Lagrima suave e serena

 


As lágrimas suaves e serenas escorrem quentes e molhadas ardentes. O sabor anuncia os teus segredos inexequíveis. O teu olhar suplica respostas que não existem, respostas que ainda não foram inventadas ou descritas. Perceber a angústia do teu acordar ainda tem vários dias de caminho pela frente. A noite há-de encaminhar a paz. Num jardim à beira de um lago, numa infernal roda brincada, pálida e esbranquiçada, anda de mão dada a concórdia. A tristeza do tamanho da galáxia, bebe-me em goles sôfregos e desordenados, a acalentada esperança de retornar a mim. Uma noite depositada a seguir à anterior, falece. Numa espera desabafada encharco o lençol que me embrulha. Queria mais que existir. As paredes separam as noites e as janelas entreabrem as estações. O sol queima torrado a existência dissimulada. Misteriosa, a marginal iluminada de um nevoeiro denso e pousado, geme agua pela calçada que a cobre. Salpicado por momentos de luz desço em direcção ao norte, em direcção ao porto de abrigo, aberto para o mar, esbracejado pelo mar. A sul deixo esquecida a fantasia. Sabedor dos caminhos que percorri, deixo-os. Espero seguramente o que o vento trará, sapiente que está a caminho.

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