O tasco
Gosto do cheiro a vinho, tabaco e petingas, impregnado no balcão de mármore preto da tasca do Sr. Manuel. A peitaça e o decote da Manuela, tornam as refeições mais apetitosas e fartas. Fartas daquelas frases que entornam meias palavras, que não se dizem mas se entendem. O ritmo a que saem almoços, o código da Manuela com o Manuel e as ordens para a cozinha, são qualquer de admirável no processo estratégico e organizativo. As pessoas na tasca no Manuel são mesmo pessoas. Dividem a mesa e as conversas. É magnificente admirar como a Manuela sabe a bebida de cada cliente e qual e a quantidade. Como sabe da sopa e da sobremesa. Como fala com o olhar não saindo nunca da sua postura profissional, mesclada de olhares sorridentes e cúmplices de entendimento, de quem tudo percebe e nada entende. A Manuela conhece os clientes e os clientes apreciam a velocidade e o seu desempoeiramento, é o exemplo vivo de que mulher honrada não tem ouvidos. A Manuela já mete a filha a caminho, uma catraia que no intervalo das aulas imita a mãe com o mesmo desempenho e atitude. A catraia já tem pêlo na venta e é boa a matemática. Peço a todos os santos que a Asae não se lembre do tasco do Sr. Manuel.
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