Resultado liquido
A névoa tem candeeiros de luz amarela exaltados num manso soluçar. O jardim sossegado, deixa pousar-lhe a transformação gasosa da água do rio e do frio, aquietar-se na relva tratada, verdejante e clara. O bar de madeira tem um ar quente e confortável. As sombras reflectem os passos permitidos pela lua. É uma noite já adiantada de noite. Imóvel, não há olhares. Fumegam brancas as chaminés das lareiras que enfeitam o ar de um saboroso perfume com aroma a fumo invernoso. As palavras dilaceram-se em pensamentos coadjuvados de sentimentos. A passarada enrola-se nas asas feitas de calor. A calçada coberta de uma humidade intocável brilha à obra do artista que desenhou um cavalo de restos de ferro. As quintas sobranceiras descansam na noite desaparecida de gente. O rádio emite uns sons imperceptíveis mas coloridos. Rasgado de pensamentos e promessas por fazer, caminho em direcção a casa que aquecida me espera. O silêncio nem sempre é de ouro e a lua não é toda de prata. Levo as mãos ao meu peito esquerdo onde sinto a vida, ruidosa e baralhada. A noite avança em direcção ao dia que já nasce ali mesmo distante. Numa longínqua vontade de ser indivisa, em vagas vagueio-me.
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