Vou fazer a cama de lavado
Vou fazer a cama de lavado,
Esticada, engomada que te receba,
Com roupa suficiente para não regelares.
Vou colocar uma almofada macia,
Com fronha de sonhos,
E a dobra nos teus ombros.
Vou colocar-me ali,
Admirado por te admirar,
Para o teu sono velar.
Vou sentir os teus pés macios,
Enrolarem nos meus,
Fazer do meu peito o teu.
Vou ver os teus olhos dormir,
Os teus lábios debruados,
O cetim aberto e fechado.
Vou escutar o teu respirar,
Fazer a cama de lavado,
Para nela te estimar.
Desabotoado o teu peito,
Tão doce e feliz descansa,
Deitado a teu lado sou bonança.
E o teu cabelo?
Está sossegado, eu ao teu lado,
Sou amado.
Vou fazer a cama de lavado,
Com lençóis a condizer
E linho feito de ti,
Vou fazer a cama de lavado,
Com a dobra sob os teus ombros,
E nos teus ombros, serei eu.
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