Em contagem decrescente aguardo-me
Vivo sem guerras, sem batalhas, sem juras e sem paz. Como se o sol trespassasse o luar e não fizesse sol quando o há e não houvesse lua quando existe. Como se, se assolasse guerra em tempo de paz e causasse paz em tempo de guerra, com juras de melhores dias, sem batalhas, sem paz nem guerra, sol e luar.
Pequeno como os olhos que se vêm em espelhados espelhos dobrados em esquinas que arrecadam duas ruas. Vejo passar em ruas diferentes reflectidas pelo mesmo espelho, a mesma imagem, dobrada, por uma esquina de duas ruas num só espelho. Entendo esta sob a forma, de a maior parte das pessoas que conheço se calcularem. Duas personalidades ajustáveis, duas formas de estar convenientes e coniventes, dobradas por uma esquina, reflectidas no mesmo espelho. O espelho é a traição da imagem.
Novo ano está aí… Viva! Começou bem. Lindamente, estou feliz, vou ser operado, não tinha melhor maneira de começar o ano, que bom, fantástico. Ok, não sou ligado a inícios de ano muito menos a finais. Vou ser operado porque tem que ser. Por mim poderia ter sido na noite de natal ou passagem de ano tanto se me dava. Qualquer dia menos o seis de Dezembro, esse não, que gosto de ler três mensagens que me chegam habitualmente e ver o azul redondo dos olhos do meu pai, do rechonchudo beijo da minha filha, bem como assim a congratulação da minha mãe. Em contagem decrescente aguardo-me.
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