Luiz Pacheco
Como tens tu passado? Como tens tu tempo para me acompanhar neste sofrimento meu amigo. Como tens tu tempo para me dares a boa nova de um filho gerado, sonhado, amado e esperado. Como tens tu tempo meu amigo, dos minutos roubados à tua mulher tão sorridente, de dentes tão certos e grandes e azeda por dentro à minha pessoa. Dessa linda e imaculada rapariga que me dispensaria raiada de alegria, a minha presença sem sacrifício. Tu meu amigo tens-me Aprecio o tempo que lhe roubas. E gosto. Sinto-me conivente com tempo roubado e extorquido para, e, por mim. É cúmplice, gosto. Ele é faminto por ser tão pouco e raro afinal. Por isso o valorizo como uma petita rara de ouro ou um diamante entregue em mão para mim, como as chagas marcadas e cravadas do nosso ancestral passado. Sabes amigo, ando a ler um livro. Ontem e hoje quase o li. É daqueles que deixam o cheiro de livros nas mãos. É daqueles que me fazem cheirar os dedos por gostar do cheiro a papel e letras impressas. É daqueles que me fazem sentir calor e por vezes a coluna a eriçar-se. É daqueles que faço força para não destravar uma lágrima obtusa. É daqueles que não se consegue deixar de ler. É daqueles onde te vês e revês. É do Luiz Pacheco. Desse odiado tanto como amado. Não é do prado coelho que tinha sempre 20 no comportamento. Não, não é. É do boémio Do Luiz. Abraço.
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