Tantos noves meses para a pança dos burgueses
Tantos noves meses para a pança dos burgueses. De vez em quando sonho que vivo sem liberdade. Que amanho a terra de sol a sol para um qualquer senhor feudal que me dá feno para dormir, uma malga de sopa, e ainda se acha bondoso porque pertence à confraria de S. Vicente de Paulo, como se os filhos dele fossem diferentes dos meus. Acordo incomodado. Filhos de Puta. Foi assim, 50 anos sem nada. 50 Anos de analfabetismo. 50 Anos de Pide. Não me quero perder por aí. Foram 50 anos e “prontos”.
Rói-me colaborar com o negócio burguês da saúde em Portugal. Rói-me, faz-me urticária. Mas lá vou eu ser operado num hospital privado com uma diária principescamente paga pelo meu subsistema de saúde e complementado por mim. Eu sou mais de hospitais públicos que é para aí que vai o dinheiro dos meus impostos. Vou lá estar deitado a pensar em quem não pode lá estar deitado. Diária de hotel de luxo. Não me entra. Não me entra isso, como não me entra esperar 10 meses por uma cirurgia. Não me entra tanta coisa.
Não sei se era assim tão mau, uma célula militar da ETA em Portugal. Tudo bem morriam inocentes e isso não me agrada. Mas que isto precisava de uma limpeza, precisava. E precisávamos deste País esclarecido. Credível. Bem frequentado e devolvido ao jardim à beira mar plantado que o é. Precisávamos de justiça, educação e saúde. Precisávamos que fossem arrecadados os cúmplices do Godinho, ninguém acredita que só o homem é que é pecador. Precisávamos que o Sócrates tivesse tirado mesmo engenharia, como todos nós o fizemos. Precisávamos que alguém que nos governa gostasse realmente de Portugal mais que dele próprio. Filhos da Puta outra vez, alivia-me dizê-lo em dias como o de hoje.
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