Um cão é um cão

 


As auroras levantam os espíritos e seduzem os incautos. Os cães danados de raiva rosnam à passagem. Será que os cães sentem? Já vi cães rosnarem e acertarem nos seus rosnares. Será que os cães pensam? Já vi cães de raciocínio acertado. Gosto de cães. Grandes e másculos. Curioso, não gosto de cães pequenos nem eles de mim. Os cães grandes não me rosnam, os pequenos já tentaram. Esta convivência entre nós e os cães a quem chamamos de fiel amigo como ó bacalhau, é curiosa e passível de análise detalhada. Senão vejamos. Os cães como nós, têm diversos extractos sociais e vêm de diferentes raças. Entre eles dão-se. Apenas se mordem junto de uma cadela com o cio. Muito mais civilizados que nós, que nos mordemos por tudo e por nada. São leais e têm instituído morderem-se ciosamente por o cio da fêmea e apenas pelo cio. Nós mordemo-nos de pensamento. O ladrar é espontâneo e o correr habitual. Purgam-se sozinhos e são sabedores das ervas medicinais no campo adjacente ao seu quintal. Este é o extracto normal de um cão. Depois há os panascas, que têm camisolas, pantufas, cabeleireiro, e senhoras prontas a receber lambedelas nelas. Cães altivos e arrogantes, deseducados e incapazes de se “fazerem à vida”. Cães incapazes de terem vida de cão. E um cão é um cão. E uma criança é uma criança, e, ainda há o homem que mordeu o cao.

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