Enseada
O fundo dos meus olhos cala um choro inadequado,
Uma enseada da passagem do Bojador à Esperança,
Que cala mil ninfas enfeitiçadas,
Venenosas, arrebatadas,
Pecados meus má fortuna.
O fundo dos meu olhos calam lágrimas e sal,
E um mar revoltoso.
No fundo dos meus olhos existe uma revolução,
Ainda crente na igualdade,
E exonerada de facilitismo,
Existe um bailado balançado de músicas lindas,
Música conteúdo e forma,
Ou não seria balanço.
No fundo dos meus olhos existe um trilho para o coração,
Vermelho vivo de motim,
Lilás brando de sentido.
Existe um fado de lágrimas,
E um amor de sorrisos.
No fundo dos meus olhos existe solidão,
Decididamente solidão,
Paixão,
Paredes brancas,
Sexo,
Momentos.
E novamente eu.
Com tudo o que existe no fundo dos meus olhos escondido,
Existo.
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