L3 / L4

 


Segunda-feira escorregadia pela pranto que caía do céu. Enublado conduzia pela embaciada marca da estrada, que fazia de margem e limite. Tinha sido dia 24 no domingo. Queria rapidamente a terça dia 26 que se avinhava lenta como se o dia tivesse horas a mais e a noite não chegasse. O medo invadia-me pé ante pé, numa dor que eu adivinhava ser de alívio, e que desejava sem sono, que chegasse. Li quase um livro no dia 25, dia que eu queria saltar. Queria que saltasse a minha hora. Era a primeira vez na vida que seria anestesiado, não a primeira vez que eu estivesse em estado dormente. Era a primeira vez que seria anestesiado e ficaria vulnerável ao corte profundo, incisivo e longo, que viria sem que eu desse por isso, mas autorizado por mim próprio com assinatura a condizer, da tal dor que previa aliviante. A hora chegou. Equipado e desabotoado sem pertences alguns. Ali exposto a todas as drogas que me quisessem catetear, cortaram-me certinho, removeram e fecharam. Acordei a mexer, a raciocinar. Sabia as minhas senhas, quem era e onde estava. Restava caminhar e descansar. Estava mais magro, sem um pedaço de cartilagem que me impedia de andar. Tinha mensagens e amigos a abraçarem-me. Está lá atrás, já estou cá à frente. E passou o 25,26,27,28 e a seguir o Janeiro de 2010. Está feito.

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