Viver tanto como amar

 


Viver é ir de encontro a uma decisão. Tocar, escrever, admirar, ver. Ouvir uma música que existe no reflexo de um espelho de água ou as palavras que sobrevivem num quadro, num movimento. O silencio introspectivo e a noite concedem-me isso. Já escrevi numa sala de espera de um hospital. Já acordei para escrever. Já escrevi depois de chorar. Depois de uma traição, de um nascimento e de uma morte. Já escrevi sem esperar e já sequei das ideias. Já escrevi para oferecer e para me dar. Não tenho caminho definido, apenas directrizes e improvisos que ganham conteúdo após terem forma. Gosto de entender fundamentos e saber de sinais. Gosto de inventar os meus acordes e colocar-lhes as minhas palavras. Já achei um desperdício não me dividir e dar. Já achei tal facto um mal necessário, devido à minha aceite e por vezes dolorosa necessidade egoísta de mim mesmo, da minha loucura e teatro montado. Um País faz-se com homens e livros. Sou um homem. Amo os livros, e, amo muito mais do que o que parece. Amar não se apregoa, pede ou cobra. Amar é ter vida dentro de mim.

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