Bebo da fonte
Cada vez que amo, escrevo ou viajo sinto-me sempre mais novo. Só quem dá recebe. O conhecimento é para se deixar, embora se leve com a vida, porque a morte não existe. A idade trás a verdade. Onde eu bebo, serei fonte. Sinto-me mais novo cada vez que viajo, escrevo, ou amo. Sinto-o porque estou mais velho não sendo a velhice mais, que um iluminado estado de existência. Amar é nascer de novo. Viajar é pisar terra desconhecida, aprender como criança. Escrever é como ler, é um acto contínuo de conhecimento. Escrever é também antecipar, prever, lembrar ou ajustar. Por isso se escreve o amor, as viagens e tudo o mais que se observa, sonha, produz ou sente. Os vértices deste triângulo são a minha vida concretizada. O concreto tem definição.
Por alguns destes motivos escrevo ao vento, ao mar, à maresia, à chuva, à montanha e à planície.
Por alguns destes motivos escrevo ao amor ido, ao presente e ao que há-de vir, porque não amar vivo é estar defunto, e ser defunto vivo é morte prematura.
Por alguns destes motivos escrevo às viagens que fiz porque mais do que viajar é ter alma de viajante. Escrevo porque me assaltam as recordações míseras de noites acordadas.
Bebo da fonte … serei fonte.
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