Brotar
A ironia ajuda-me a passar as horas delirantes em que sinto actividade cerebral exacerbada. Visto mil peles transeuntes. Já imaginei vidas pelos cheiros, pelos sorrisos, pela forma de andar, de olhar, pelos adjectivos, penteados e roupa, pela música, pelo tamanho, peso e expressão. Neste exercício solitário vem-me ideias e objectivos. Vão-se sonhos e empreitadas.
Separo em dois o mar, a lógica e a plenitude. Sarcasmos e figuras de estilo tenho-as em jarras onde outrora viviam flores que secaram de sede. Analogias? Crio-as sem me aperceber em desculpadas teorias ao bom senso. Sentidos figurados brotam-me de sorrisos solitários. Não gosto do esmagamento da falta de sentido dos pedidos.
Envio sorrisos num envelope e deposito na caixa postal arremessado e imprudente. Sinto-me filho de mãe diferente e pai igual. Desconexo reparo em mim. A falta de sentido comum faz as separações. Irrevogáveis e distanciadas, verdade que se torna desaparecida, total e imprecisa no tempo.
Qual serra, mar ou lagoa!
Qual livro em comum ou direcção!
Qual ilha, sol ou sal!
Qual olhar, areia ou estrela!
A cadência ignóbil e rotinada são o nascimento para a decadência. O ser humano destrói tão bem quanto constrói.
Fantástico falar claro de forma escrita, tão desentendida e desentediada.
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