Desmedido
A maior parte do meu querer é desmedido. O passar dos anos ensinou-me que querer muito é poder, não sendo no entanto o querer determinante. As coisas não são exactamente como o eram ontem e a minha lucidez de espírito diz-me que não o será igualmente amanha. Esta mutação constante é fascinante.
O que muda afinal? Eu? A envolvência? Ambas? A envolvência transforma-se. Eu modifico-me com a envolvência, modifico-me emocionalmente e intrinsecamente. Essencialmente transformo-me emocionalmente. Absorvo cognição que me oferta caminhos. Palmilho o caminho que me dá experiência e apresenta-me novas formas de pensar e sentir. Sinto mais do que penso. Penso muito no que sinto. Experimento liberdade mais que prisão. O processo prisional interior é o tempo anunciado de a liberdade se mostrar. Aguardo, tolero e sou paciente.
Quem semeia colhe. É a inevitabilidade das estações. Uma tempestade repete-se tal como a bonança. Não sei se não há amor como o primeiro. Sinceramente acho que existe mais amor para além do primeiro. O primeiro visto a esta distância nem foi grande coisa. O ultimo também não. Pelo meio existiu o amor. O amor existe e ponto final. Existe sempre. Todos os dias, especialmente onde não se espera. O amor não se procura, encontra-se. O final do amor é inevitavelmente e sempre dor e tristeza, ate ao recomeço novamente do amor.
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