Pedaço de caminho
Denso e forte este cheiro cravado de Abril na minh´alma. Forte a areia vinda do mar alto pela força da corrente. A areia engrossou densa a passagem. Retenho em mim a cor cinza da manhã e a desgraça despenhada donde penso executar-me um dia. Será num Abril qualquer. Virá o sol enevoado e as nuvens dançaram chorosas céu abaixo.
Enrolam-se limos nas minhas passadas que escorregam numa vida inteira feita de partes. A média ponderada não me diz nada. Denso, forte e frio, este tórrido sentir. As noites em branco dão-me a alegoria que me transporta pelas estorias inventadas de realidade.
Sento-me! Não fico bem.
Debruço-me! Melhoro.
Debruço-me então sobre a imagem da virgem e hipnotizo o meu olhar com o dela. Rogo bênção e agradeço. A pequena capela escarpada na rocha enlameada é o abrigo. O feixe de luz e o cheiro húmido da porta de madeira encantam o nicho voltado para mim. Oiço o encantado esvoaçar das gaivotas no batimento das suas asas. De olhos mutilados imagino-as graciosas.
Mais à frente o dia já é noite pensei para mim sendo eu outro ali. Ruídos de um eco exacerbado e poluente desmotivam-me a navegação. Precisava de mais água de chuva para limpar o enlameado pranto anterior caído do céu, no intervalo do meu dormir. Precisava de caminhar. Precisava de navegar.
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