Sinais

 


À medida que o fogo arde as palavras queimam-se numa troca de ideias banhadas de sentidos e dádiva de vida. Lá fora habita um frio que nos tempera a alma. Cada pedaço de madeira ardido torna-se em energia do nosso afago conivente com o sorriso de uns olhares crédulos de estarmos ali. As labaredas dançam geometricamente de uma forma não linear. Quatro porcos de loiça de ar feliz e bonacheirão assistem ao quadro que pintámos, de quem está ali com vontade de estar e conversar. Os nossos olhos atraiçoam-nos com os primeiros sinais de um sono, feito de cansaço feliz, pela identificação tornada empatia e vontade. Os nossos cheiros são agora um, amantizaram-se. Falamos de um sonho lindo feito de Africa e suicídio. Da nossa forma de não estar estando. Dos outros e de nós próprios. Um falar sem palavras escolhidas feitas da essência de nós próprios. O bem-estar sentado em mim balança-se numa cadeira perigosamente confortável. Sinto-me como se sempre ali estivesse estado. Como se a minha alma sempre ali se refugiasse. É calma e pacificada a minha noite tal qual como se a tivesses pensado e tivesses correspondido ao desejo final. É esta a história do bem-estar dos amantes. Admiro as desenhadas cadeiras de ferro da mesa da távola redonda sinónima ponderada de igualdade e fraternidade. Quando as almas se fundem fundem-se os corpos de bocas feitas de abraços emanados pelo ser mais do que pelo estar.

 

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