Só por sair daqui vi

Só por sair daqui vi.


Vi povos de cores e costumes diferentes.


Mulheres mães albergadas de filhos.


Só por sair daqui vi.


Vi estradas intermináveis de montanhas e as nuvens descansadas no céu.


Vi plátanos plantados no pôr-do-sol.


Vi uma terra queimada de passadas e lagos com hipopótamos.


Vi homens de saia e mulheres a trabalhar a terra.


Ouvi outras línguas e dialectos.


Só por sair daqui vi o que nenhuma universidade me ensinaria.


Vi a chuva cair já seca nas frestas da terra.


Vi um lago encher-se numa noite de chuva.


Vi flamingos aparecerem do nada e colorir a planície.


Vi zebras, elefantes e girafas.


Vi uma mulher de olhos verdes, embaciados e opacos.


Só por sair daqui vi uma ponte de neve e o Kalimanjaro.


Aqui não é o meu sítio muito menos a minha gente.


Aqui sou eu adaptado, inerte e adoptado, filho de ninguém.


Só por sair daqui vi que não pertenço aqui.


Sou um cheiro mais forte que este.


Feito de “dócil e feroz loucura”


 

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