Espraiando

Como se transforma uma noite escura, aguaceira em luz amena e claridade? O rio salpica o reflexo das estrelas no cais fundeado dos mesmos barcos do verão. As árvores choram ao rio descabeladas. Saltámos para Africa. Habitámos praças e medinas. Circunscrito o mar ali. Olhamos o templo quente, daquele verão que ate hoje vive recordado. Os dedos são complemento de vontade. Guardo o avermelhedo tom. Guardo os acordes da cave enevoada de fumo de acordes do contrabaixo. O êxtase daquele clube quente e pouco frequentado da praça da alegria agora ardida. Estive ali à porta e senti. Como eu queria navegar para além deste caminho. Adapto-me. Habita em mim desconexo uma felicidade guardada a sete chaves. Irrepetível. Textos embalam-me e despertam-me. Li um texto que dizia:


 


 “…A caminho da biblioteca olhei, vi um quadro lindo e previsível, a minha amante lavava o carro com o marido. Senti-me desculpado e fascinado no minuto seguinte. A barca vagueia nas ondas e o mar é bonançoso, tão bonançoso como as juras feitas pela madrugada, indecisa e excitada. Que Puta afinal a minha sina. Os meus filhos têm fome de mim e a minha mulher fartura. Fartura de tão farta me esperar na cama ausente. O carro de cor negra embaciado…. “


 


E lá continua o escrivão num discurso delirante e relacional.


 


“…Como me souberam bem aquelas palavras vistas pelos meus olhos. Isto sim são acções não descritas, nem contadas, estão escondidas numa vergonha perfurada e solitária. Quando de dois nos façamos um, vive um morto no outro vivo. A verdade poderá em mentecapta ser feliz com a mentira. Mais que as palavras que carregas num deposito absorto de infantilidade e mau dormir, como as cartas escritas e madrugadoras de advérbios e substantivos de pena do teu mundo … ser…”


 


- Já não tenho pena de mim pensei ao ler-te, enleva-me uma alma viajante e vou ...

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