O que eu passei para aqui chegar
Começa a haver meia-noite nos meus dias. A magica energia da noite, o que sinto, mais do que penso. Penso rapidíssimo com o coração. Sou muito lento com o pensamento. As ordens que recebo do coração assustam-me. A minha cabeça ajusta-as. Mas é o coração que me ordena, que me guia, que me faz avançar, trabalhar, ordenar, organizar. É o coração que me faz sentir fé, saber que sou existência, alma mais que carne, emoção, lágrimas, pranto e riso, filho, amigo e pai. As palavras sem exemplo perdem o conteúdo, nem as oiço. O exemplo não precisa de palavras, fala por si só. Mostram trabalho, inteligência, avanços, recuos, crescimento, amadurecimento, caminho, dias, noites, e não precisam de publicidade ou redes sociais completas e complexas. A simplicidade de ser está na obra que se enceta e nunca se conclui. Não está nas bengalas emocionais. A partilha não é cobrança é partilha. É dizer como foi o caminho e por onde foi. É não saber do minuto seguinte. Comovo-me ao olhar para trás. Vejo o que andei para aqui chegar … “e eu vim de longe, de muito longe, e o que eu passei para aqui chegar”… como diz e bem o poeta. Qualquer dia a qualquer hora sou mais semente que aridez. Tenho meia-noite nos meus dias.
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