Sol fá zando III
A poesia brota-me,
Sem dar conta,
Onde menos espero,
Paralisa-me e rouba-me ao mundo,
Tensos,
Os músculos,
Compõem-me,
Inexpressivo,
Dentro de mim surge,
Napalm como se fosse o meu sangue,
Fico mudo,
Ledo,
Corro para o papel e sepulto-me,
Deposito,
O que sou,
O que vejo,
O que penso,
O que sonho,
Invento palavras e pontuações,
Logaritmos e parábolas,
Formas entendíveis,
E esquizofrenias,
Preciso de me depositar,
E urgente,
Volto,
Volto ao ser térreo e mundano,
Desta existência,
Incontrolável,
Ansiosa,
De me perpetuar,
Neste desabafado fundo branco,
Deste papel que me ouve,
Sempre.
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