Vôo picado

O gemido e o pranto ecoam na noite num esplendor de miséria adornada de festa numa tenda improvisada num monte distante e deserto. De um porto azul de mar fugiste pela madrugada afora. Partiste assim, sem mar nem vento ou explicação. Partiste no sentido lato e cheio de partida. Deixaste o mar profundo de uma saudade imensa e intensa. Ontem naufraguei nas lágrimas que me abundam, danado e irreverente, rosado e soprado este vento de metal cor do ouro abafa-me. O calor levanta-se mal raia o dia. O meio do dia já ferve, refresca-se pelo final da tarde e adormece à tardinha. Fazes-me lembrar um campo colorido de papoilas sopradas ao vento. Embeleza-te uma trança e uma barcaça. Gemem sons da tua ausência num poema que me traz de mim. Sorvo uma baforada de nevoeiro de um só trago. Prego-me estanque ao chão, não quero andar ou rebolar-me nesse mundo que não é meu. Cosi umas asas em mim e voei. Queria saber ser pássaro e voar sem direcção, ver-me do alto pequeno. Descansei embriagado pelo cheiro que te conheço. Adormeci feito gemido e pranto que ecoam na noite salgada de Jazz.

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