Branco branco
Os meus olhos guardam a brisa que corre naquele pedaço de mar. Guardo a melancolia da música que se solta roufenha. Sonho com o abraço dado e outro por dar. Com os dedos entrelaçados num nó cego. Na respiração ofegante e feita minha. A luz ténue da madrugada é um clarão na minha existência, ilumino-me de alma. Partilho o sonho de ser faroleiro, ao invés da “pobretana” e desprovida vida sedentária, ritmada, fardada, rotinada e igual. Não fosse o meu espírito criativo e desadaptado seria sempre análoga, nos diferentes dias e nas horas descoincidentes e vazias. Descontinuo-me para continuar. Desconstruo-me para construir. Desconserto-me para me consertar. Numa ergonomia cognitiva, organizo as minhas emoções latentes e transformo-as em confortabilidade. Vejo um ponto de luz ao largo no mar. Um ponto branco branco. Voo para lá, um bote balança, peço refúgio, mansamente entro. É meu, o porto seguro onde estaciona o tempo. O teu afago de encontro ao peito embala-me. Brilho como um farol dos olhos, sinto-me quente a desejar refrescar-me de noite, vagas, e arrulhares de gaivotas que me acompanham, madrugado fora… como tu.
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