Seda

São de seda as tuas palavras soltas em pedaços de trilho e esperança. Púrpura, a tua tez hilariantemente sublinhada pelo desejo, carrega em mim a luz. Acrescentada à noite faz-me conceber o momento, como arte sublimada de estar sem sentir que estou. De ser sem saber que sou. De me desimportar como nasce o dia, para além do mar noutro continente. Um ponto de luz que vagueia dentro das vagas desaparece a cada onda de ternura que recebo do mar, pelo acto reflexivo do teu olhar. O sal solto e frio, esbatido na minha face, carrega de encanto a minha solidão quebrada. Aquele pedaço de mar é só meu e é exequível. Soçobra de mim como um pedaço de mau caminho transformado e adornado, convertido em paz e alegria. Os meus poros transpiram de pele, e enfrento a minha vida como se o momento fosse um dia apenas. Imagino o prazer em gemidos. O abraço como se fosse uma furna que habito, amena, saborosa e inabitável. A montanha é mais alguém, que não “o meu eu secreto e selvagem”. As velas incandescentes e trémulas ao longe, irradiam a luz que necessito para vislumbrar o céu negro e baixo. Sonho um sonho achado e impossível, que de achado ser, em possibilidade se transformou. Recordo momentos de subsistência ergonomicamente cognitivos. Momentos claros e translúcidos.


 


Momentaneamente suspiro o que há mais profundo de mim. 

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