Umas castas, outras bastas...
Guardo a cor secreta dos teus gestos. As palavras rebentadas dos teus filhos que partiram para uma guerra que fica noutra cidade. Os nossos filhos voam. Saiem por aí de metrópole em metrópole, como se antes fossem guerra e depois paz. Guerra numa cidade de concórdia aparente. Ausentes de presença fincada frequentam-nos. O barco escondido numa praia com chorões que tocam o rio e a areia, não tem leme, tem um timoneiro de ideias e ideais. Ancorados, os barcos brancos ondulam consoante os pensamentos que me ensombram. A lua já vai para cheia. O rio já vai para o mar. Os filhos já vão para a vida. A vida já vai para a morte. A morte já vai para a vida. A meninice já vai matura. O ódio vai a caminho da paz. O jardim descuidado cresce e cheira a Maio e Maria. É silvestre este jardim onde a aventura começa e prediz. A solidão concebe palavras em mim. Algumas castas outras bastas. A noite produz endorfinas que me alienam de um querer cego e manso, decotado e sedutor. Cheiras-me. Cheiras-me a rosa brava. Quando partiste disseste exactamente o que previste. Ver-te-ei em versos cantar o meu fado arfando noutros olhos. Ver-te-ei dançar nos braços de um amante. Sonhei que eras a chuva e vi nas poças coração.
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