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Sem trilho ou caminho, sem bússola ou astrolábio, fiz-me ao destino. A noite já sobe no horizonte irrompendo pelas nuvens pousados no céu. O vento sopra de uma forma não sentida mas pressentida. É como se as cidades tivessem morrido de tão adormecidas que estão. Das fogueiras acesas já só restam as brasas. Vejo o teu rosto belo e mágico. Tudo é silêncio e ruído. Paz e guerra. Tempestade e bonança. Noite e dia. Homens e mulheres. Voz e grito, solidão e presença. Caminho sob as folhas estaladiças da calçada que povoam a floresta até à montanha. Adormeci. Adormeci a meia viagem para retemperar a alma. Nos subúrbios do meu ventre, num dilacerado frenesim, cantam querubins. Uma improvisada melodia que me embala a cada passada, sucumbe à madrugada enfeitiçada. Enfeito-me de perfumes coloridos. Continuo bosque fora. Enquanto caminho revisito-me. Vejo-me numa escadaria que verte água e humilhação. Um querer que não sabe o caminho. Vejo uma luz cega de um farol que brilha entre as árvores e me guia incandescente. Vejo-me nascente e renascido de uma nova forma de vida. Sinto a alegria da liberdade de escrever a história da minha vida, numa folha infinita de palavras e sorrisos. Vejo-me em forma de abraço apaziguado e sereno. Fera domada e ausente de olhar perdido e encontrado no final do percurso.
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