Pop Dell´Arte
Noite, o vento batia quente em direcção aos acalorados acordes que me chamavam. Cheguei e sentei-me na relva convidativa. As cadeiras brancas estavam ocupadas pela agradabilidade da noite. Disse para o meu amigo: “daqui a meia dúzia de cantigas estarão vagas mais de metade”. E assim foi.
O João Peste e os amigos trataram selectivamente do pessoal. Até os “betos” malucos que saltam por dá cá aquela palha, ao som de quase toda a batida, não resistiram à força da mensagem traduzida em acordes e conteúdo das palavras. Na verdade a musica que faz pensar não vende, não rende uma deslocação, não aliena da realidade. E assim regressei aos anos oitenta e à genuinidade das palavras abraçadas pela música dos Pop Dell´Arte, e tive saudades.
Melancolicamente vieram-me à cabeça duas ou três pessoas, curiosamente já não terrenas, mas vivas em mim. Comparei as noites de outrora e as de hoje. Havia lá sandalinhas douradas de tacão agulha na época. Não havia. Havia era ténis e pó, e cheiro adocicado no ar, mais olhar iluminados e sossegados. Havia pessoas sentadas em roda a conversarem. Bela noite de musica recordada e actualizada na sua intemporalidade.
Entrou em mim uma sofreguidão fresca e ávida, soube-me estar contigo amigo.
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